
A linguística cognitiva e a psicologia são duas áreas do conhecimento que estão interconectadas e se preocupam com o estudo da mente humana e seu comportamento em relação à linguagem. Se por um lado a linguística cognitiva aborda o estudo da natureza mental da linguagem e como ela é construída através de processos cognitivos, por outro lado, a psicologia busca analisar a natureza e a função da mente humana no que se refere ao comportamento humano e como este pode ser influenciado. Ambas as áreas compartilham um interesse comum em entender como a linguagem é produzida, compreendida e utilizada pelos seres humanos.
Estudiosos dessas duas áreas compartilham a crença de que a mente humana é responsável pela construção da linguagem, atributo que distingue os humanos dos demais animais. A linguística cognitiva admite que a linguagem é construída por meio de processos cognitivos bastante elaborados, tais como percepção, memória, atenção e categorização. A psicologia, por sua vez, investiga como os processos cognitivos funcionam quando o assunto é o comportamento humano, observando produção e compreensão da linguagem em diversas situações. Ambas as áreas buscam entender como os processos cognitivos afetam a linguagem e como a linguagem, por sua vez, afeta esses processos.
Se pudéssemos delinear as principais contribuições da linguística cognitiva para a psicologia, a mais proeminente é a compreensão de como as categorias linguísticas são estabelecidas. A linguística cognitiva argumenta que as categorias linguísticas são construídas a partir de conceitos mentais mais amplos, chamados de esquemas. Esses esquemas são construídos a partir das experiências do indivíduo e são utilizados e recombinados para categorizar informações de uma forma útil e eficiente. A psicologia se debruça sobre a relação entre a categorização e os processos cognitivos, como memória e atenção, e como essas esquematizações afetam a construção social desse sujeito.
A linguística cognitiva pode ser bastante útil para a psicologia no estudo da metáfora. Essa figura de linguagem, a metáfora, é entendida pelos linguistas como mais que um mero recurso estilístico, mas uma forma fundamental de pensamento. A metáfora pode ser usada para compreender conceitos abstratos tomando como base conceitos mais concretos, como quando falamos sobre um determinado conjunto de dias que chamamos mês e dizemos que “estamos em abril”, como se fosse possível transformar o mês em um contêiner. Alguns psicólogos têm explorado a relação entre a metáfora e os demais processos cognitivos, como a memória e a atenção, e como a metáfora afeta a maneira como pensamos e nos posicionamos no mundo.
Uma das premissas da linguística cognitiva é que certos mecanismos linguísticos são adquiridos através da interação social e do uso da linguagem em contextos significativos. A psicologia pode ater-se à maneira como determinado processo de aquisição da linguagem interfere no comportamento da pessoa.




